Fotos, música e impressão 3D – Nossas perguntas e respostas com Amanda Ghassaei, da Instructable

Você se lembra do disco impresso em 3D? Esse objeto de fascinação tornou-se um sucesso instantâneo no mundo da impressão 3D. A criadora do algoritmo que capturou algumas das nossas músicas de synth-pop favoritas, Amanda Ghassaei, era editora técnica assistente da Instructables antes de migrar para o departamento de engenharia de software.

Ghassaei fez uso de sua base em física e química (incluindo nanotecnologia e ciência dos materiais) para trazer o disco impresso em 3D à realidade, e ela fez isso novamente com fotos impressas em 3D! Ela usou uma impressora 3D multimaterial Objet500 Connex da Stratasys para criar essas imagens "texturizadas" capturadas em tons de cinza.

Ghassaei uniu-se a nós para uma entrevista e nos atualizou sobre tudo, desde suas preferências de software de CAD até como ela desenvolveu seu gosto por música tão variado.

3d printed photograph

Stratasys: Onde foi sua primeira exposição à impressão 3D? Foi na Instructables ou antes disso?

Amanda Ghassaei: Eu ouvi falar sobre impressão 3D quando eu estava na faculdade, aproximadamente na mesma época em que eu comecei a me envolver com eletrônica/tecnologia DIY. Na verdade, um dos meus primeiros projetos Arduino foi construir uma impressora RepRap de código aberto com alguns outros estudantes na minha faculdade. Desde que comecei na Instructables, tenho trabalhado com impressão 3D em vários projetos, em sua maioria de prototipagem, mas eu também me diverti bastante experimentando as potencialidades da tecnologia por si só.

Stratasys: Onde você aprendeu CAD? Você tem um programa preferido?

AG: Eu comecei com o AutoCAD e passei para o 123D Design e o Inventor para modelagem sólida (o 123D Design é gratuito e ótimo para as pessoas que estão começando a aprender modelagem 3D; o Inventor tem recursos mais avançados, como a capacidade de calcular a geometria de engrenagens.) Para trabalhos complexos e algorítmicos, como os discos e fotografias, eu uso o Processing com a biblioteca Modelbuilder de Marius Watz. O Processing é um pouco mais difícil para iniciar, porque a geometria é calculada em código, em vez de uma interface gráfica, mas ele me fornece muito controle e é perfeito para processar grandes quantidades de dados para a formação de um modelo.

 

3d printed photo, stratasys objet connex 3d printer

Stratasys: Tanto o disco impresso em 3D quanto as fotografias impressas em 3D parecem representar uma nova tendência de itens comuns que, tecnologicamente, saíram de moda — é por causa do design que você optou por reinventá-los?

AG: Bom, eu nunca elaborei dessa forma antes, mas não é surpresa que isso tenha ocorrido. A tecnologia recente concentrou-se em criar cópias digitais de coisas que eram físicas para torná-las mais fáceis de armazenar e compartilhar, mas as impressoras 3D estão fazendo a tarefa oposta, pegando informações digitais e tornando-as físicas. Eu imagino que faça sentido que as impressoras 3D sejam usadas para a revisitação de formatos físicos que podem ter perdido sua relevância na era digital. Ela oferece um tipo de casamento entre as conveniências do digital – a capacidade de enviar um arquivo de modelo 3D ao redor do mundo em frações de segundo – com a tangibilidade do físico.

3d printed landscape photo

Stratasys: Você fez experiências para encontrar a melhor forma de expressar a textura/profundidade das fotografias 2D? Você tentou usar materiais diferentes com a Objet Connex? Por que você optou pela Objet Connex dentre as outras impressoras 3D ou tecnologias de usinagem?

Eu não tive tempo para fazer muitas experiências com as fotografias, mas eu postei todo meu código na Instructables caso alguém tenha curiosidade sobre ele ou queira imprimir suas próprias fotografias. Eu adoraria tentar uma impressão 3D com o VeroBlack, eu acho que ele acrescentaria um belo contraste à imagem, e também gostaria de experimentar mais com espessuras e com as curvas usadas para traduzir valores de pixel em espessuras. Trabalhar com a Objet Connex neste projeto foi ótimo, devido à sua precisão; as fotos que eu imprimi têm em torno de 100 níveis de tons de cinza a 300 dpi, e assim elas ficam parecendo incrivelmente detalhadas. Seria interessante ver os resultados em outras impressoras 3D, especialmente as impressoras FDM como a Makerbot ou a RepRap.

Stratasys: Você já viu a versão impressa em 3D da arte do álbum do Joy Division "Unknown Pleasures"?
Ela parece ser uma mistura perfeita dos seus projetos.

AG: Sim, eu vi!  Eu adoraria imprimir em 3D algo como aquilo bem no meio do meu disco "Disorder" do Joy Division, a partir do mesmo álbum, claro.

Stratasys: De onde vem esse seu gosto musical eclético? Você achou que ele suportaria bem o algoritmo de impressão 3D, ou foi algo mais?

AG: Bem, crescendo em Seattle, você pode ligar o rádio e pensar que está em 1994, e mesmo achando que ainda escutava as Spice Girls quando os anos noventa estavam realmente acontecendo, eu tive tempo o bastante para revisitar o rock alternativo dos anos noventa. Eu também tenho pais realmente jovens; uma das bandas prediletas da minha mãe é o New Order. Assim, pode crer, eu tentei equilibrar as escolhas musicais que fiz entre coisas que gostava e coisas que são populares e reconhecíveis por um público maior sem ter de recorrer à impressão em 3D do Gangnam Style.

Depois de imprimir alguns dos meus primeiros discos, Smells Like Teen Spirit e Debaser, eu tentei escolher músicas que tivessem menos distorção/bateria ao vivo, e mais ênfase nas frequências baixas e médias, o tipo de música que suporta melhor o processo de impressão. Dentre tudo que eu imprimi, gosto mais do Around the World e do Disorder.

Stratasys: Há algo mais que você deseje traduzir em impressões 3D?

AG: Eu não tenho nada muito específico em mente, mas eu continuarei definitivamente a trabalhar com a impressão em 3D por algoritmos – a escrever programas que traduzam dados em modelos 3D. Meus projetos recentes têm sido interessantes devido ao nível de precisão envolvido, mas são um pouco estáticos demais para o meu gosto, e por isso eu gostaria de começar a experimentar com peças móveis geradas algoritmicamente. Por exemplo, eu quero escrever um programa que gere vários mecanismos para movimentação ou rastejamento, e, em seguida, criar modelos 3D totalmente montados dos mecanismos que possam ser impressos por uma Objet Connex. Você poderia conectar um pequeno motor CC na impressão final e o modelo essencialmente rastejaria para fora da bandeja de impressão por si só — depois de ser limpado um pouco.

Um dos meus artistas favoritos, Theo Jansen, fez trabalhos incríveis construindo grandes máquinas andantes alimentadas por vento baseadas em um mecanismo de perna que ele gerou usando algo chamado algoritmo genético (um processo de otimização baseado na evolução darwiniana). Eu penso que uma ideia assim, reunida à fabricação digital, especialmente a impressão 3D, pode dar resultados incríveis. Eu ainda não comecei com nada parecido, ainda estou pensando sobre como eu prepararia tudo, mas espero começar a explorar essas ideias em breve.

Este post também está disponível em: Chinês, Inglês, Japonês, Espanhol, Korean

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